A dor, a internação e o diagnóstico | Parte 1| Neuralgia do Trigêmeo

Hoje faz 1 semana que recebi alta hospitalar, continuo em negação em relação ao diagnostico de Neuralgia do Trigêmeo, ainda que eu tenha passado por uma bateria de exames eu não quero acreditar nesse diagnostico.

Os sintomas começaram 1 mês antes da internação, sentia pontadas no ouvido, como choque ou agulhas, na minha cabeça pensava ser alguma coisa que um otorrino poderia avaliar e tratar, por isso fui adiando a consulta, esses choques eram incômodos, mas suportáveis.

No dia 19 de Novembro de 2024 é que a dor de fato começou, ela começava na base da língua, percorria a mandíbula e finalizava no ouvido, uma dor aguda e intensa, neste dia eu me entupi de medicação para dor, tive dificuldade para me alimentar e fiquei o restante do dia fazendo bolsão de água na boca do lado direito, em paralelo eu trabalhava e também arrumava minhas malas para voltar para São Paulo, só foi possível viajar por que tomei uma medicação para dormir, ainda assim, algumas vezes durante a noite eu acordei com dor e seguia fazendo o bolsão de água.

Cheguei em São Paulo no dia 20 por volta das 6h da manhã, inicialmente sem dor, mas bastou um gole de chocolate quente para que a dor voltasse com tudo, para tomar café da manhã era uma garfada na comida e um bolsão de água, neste dia eu deve ter ingerido fácil uns 10 litros de água, o que também é prejudicial.

Fui para casa tentar dormir, já que eu "não sentia" a dor enquanto estava apagada, porém as 15h eu decidi ir ao hospital, lá um otorrino me avalia e descarta qualquer infecção, prescreve as medicações que já estava tomando e que não surtiam efeito e me manda para casa,

Aqui a dor já estava intensa e constante, ela vinha em ondas de choque que faziam com que eu me contorcesse e meus batimentos fossem as alturas, com muito custo conseguir jantar e fui tentar dormir, mas foi sem sucesso, tomei a medicação para dormir, sem sucesso também, por fim meu namorado decidiu: Nós vamos para o pronto socorro agora! Já passava das 23h30.

Optei por ir em outro hospital, já que no primeiro eu tinha recebido uma orientação genérica, cheguei ao hospital e a sala de espera estava vazia, passei pela triagem em poucos minutos, mais alguns minutos eu estava em consultório médico.

Neste ponto meu namorado já tinha feito uma pesquisa extensa sobre meus sintomas, lido artigos e mais artigos e para ele havia duas possibilidades, neuralgia do trigêmeo e do glossofaríngeo, ele é médico? Não, mas fez uma pesquisa minuciosa.

A médica do pronto atendimento começa a me examinar, pressão em 180/100 [18/10], ela se assusta e questiona se eu tinha pressão alta, a resposta é não, começa a avaliação dos sintomas, enquanto isso estou eu com a garrafa de água e fazendo bolsão na boca entre uma explicação e outro, graças à Deus havia um neurologista no fim do plantão, me avaliou, indiciou a suspeita de de neuralgia, pediu exames para descartar um AV.

Fui encaminhada a sala de medicação, primeira rodada de medicamentos, a dor fica espaçada mas não diminui, segunda rodada de medicação, a mesma coisa, retorno a médica e ela decide me internar para prescrever a morfina, vou para a observação médica, meu namorado vai para minha casa, minutos depois recebo a primeira dose de morfina, uma sensação de morte, em alguns minutos a medicação começa a surtir efeito e eu durmo, a dor continua ali, mas numa intensidade menor.

No dia 21 por volta das 8h sou levada para a UTI, aqui começa a saga do diagnóstico, que eu vou contar no próximo post.


Joycemille Rocha

Comentários